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Desafios do novo governo

*Renata Gil Os desafios são gigantescos. O governo federal se estabelece nestes primeiros dias de janeiro para verificar se tudo o que anunciou na campanha é realmente factível, se tudo o que sonharam seus integrantes nos meses de campanha e nos preparativos da transição tem respaldo na realidade brasileira. O governo Jair Bolsonaro chega com o propósito de tirar o país do dramático presente de penúria financeira, caos administrativo, criminalidade descontrolada, descrédito político. As reformas estruturantes devem ser prioritárias na nova administração federal. Sem elas, por mais que haja boas intenções dos dirigentes, é complicado gerir uma nação tão persa como o Brasil, onde, desgraçadamente, a corrupção, o despreparo e a incompetência se instalaram, sem pedir licença à nobre população, nos gabinetes de poder. É com ansiedade que o Brasil aguarda a pulgação das urgentes medidas que serão implantadas nestes primeiros cem dias de governo. Conheceremos, de forma concreta, quais as propostas e os planos do novo presidente em seus meses iniciais de atuação. Projetos que deverão guiar o Brasil de volta ao itinerário tão desejado do crescimento interno e do fortalecimento no cenário internacional. A ação do Poder Judiciário em prol de um Brasil bem melhor revela-se fundamental. Não se trata de um apoio acrítico a um governo que se inicia. Mas é papel da Justiça ponderar sobre o que cabe a ela e à magistratura fazer em contribuição ao esforço nacional de recuperação. Como bem disse o ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal, em recente jantar com jornalistas: “Estamos precisando destravar o Brasil”. Do mesmo modo, ao tomar posse no Ministério da Justiça, o ex-juiz federal Sergio Moro falou, com propriedade, que o STF e o Exército são “os fiadores da estabilidade” do país. Duas instituições públicas que, pela atuação soberana e diligente ao longo de décadas, angariaram respeito e admiração dos brasileiros. A citação de Moro ao Exército, por fim, remete ao trabalho discreto, mas abnegado e eficiente, desenvolvido pelo general-de-Exército Eduardo Villas Bôas à frente da Força que assumiu em fevereiro de 2015. A ação serena do oficial general que acaba de deixar a função máxima do Exército demonstrou o quanto os militares estão atentos ao necessário respeito à Constituição. A hora é de esperança e fé. Este abraço interinstitucional, em que governantes, instituições e sociedade se irmanam, expõe um Brasil maduro, pronto para enfrentar as reformas que se avizinham, com o objetivo maior de debelar essa grande crise e trazer de volta o progresso, a prosperidade e a felicidade aos lares do país. (ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL O GLOBO)   *Renata Gil é vice-presidente Institucional da Associação dos Magistrados Brasileiros e presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro
09/01/2019 (00:00)
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